segunda-feira, 29 de setembro de 2014


Cel. Félix de Sousa Martins

Filho de José Martins Pereira e Maria Francisca de Sousa. Nasceu em 14 de outubro de 1848, na Fazenda Irapuá, hoje, Pires Ferreira.
Contraiu matrimônio em 1869 com Maria Verônica de Sousa do qual teve treze filhos: Verônica, Maria Bela, Sebastiana, Maria Cecília, Antonia, Ana (Donana), Raimundo Martins, Elmiro, Gonçalo Martins, Francisco Martins, João Martins, Félix Martins Filho, José Martins.
Viuvou em 1924, casando-se no mesmo ano com Éster de Sousa Martins e logo aumentou sua família, tendo mais três filhos: Josefa, Maria e Félix Martins Segundo.
Em 1885 edificou em sua fazenda Lages um engenho onde fabricava rapaduras e aguardente. Nos anos seguintes construiu dois açudes e uma barragem que muito beneficiou a comunidade local e circunvizinha.
Em 1910 arquitetou uma fábrica de descaroçar algodão puxado a boi e outra de curtume beneficiamento de couro do gado. Destacou-se também pela dedicação a pecuária e a lavoura.
Foi coronel da Guarda Nacional e primeiro prefeito eleito por votos em Ipu.
Em 24 de maio de 1941, Ipu perdeu este grande empreendedor, exemplo dignificante, líder e cidadão, honraria moral que norteia, incentiva e impulsiona o clã dos MARTINS ao caminho do bem, quais irmanados, reverenciam-lhe a memória e o reconhecimento como seu autêntico paradigma “PATER FAMILIAE”.




Cenas da Feira do Ipu
(set/2004)
Morava nas proximidades da “Mina Velha”, em um humilde casebre ficado a margem da estrada, bem próximo de um cajueiro, que durante décadas fora ícone e principal sinalização da curva que antecipava a reta de subida à Ibiapaba. Era um mulato baixinho, cabelos encarapinhado, já assinalado pela névoa do tempo, contava com seus quarenta e cinco cinquenta anos, isto nos idos de mil novecentos e cinquenta e nove, sessenta, portanto hoje deve está somente às lembranças.
À curva havia um frondoso e juazeiro, bem ao lado uma pequenina bodega. Ao perceber a presença de algum cliente, ele mandava esta:
Eu sou cego de nascença
Nunca vi a luz do dia
Irmão dê-me uma esmola
Filho da Virgem Maria!
Permanecia ali, durante a semana, quando se escasseava a freguesia, saía com seu guia casa-a-casa a recolher suas esmolas.
Aos Sábados seu “point” dava-se nas proximidades do Banco do Brasil. À sombra de velhos oitizeiros, onde também ficava a banca da Trovão e Baronesa, posteriormente da Dona Fransquinha do Sr. João Passos, depois transformara-se num pequeno quiosque, dando lugar atualmente a um posto de gasolina e suas instalações.
Sempre a seu lado uma vazia lata de goiabada Cica, ou uma meia-combuca de queijo Palmira, onde eram depositadas as “ajudas”.
Ao ouvir o tilintar das moedas em sua vasilha, abria a garganta a cantar, sempre no tom de agradecimento.
Era sábado, á quietude da tarde lá estava o Sebastião, já devidamente “calibrado”. Ajuntaram-se umas cinco ou seis moçoilas, hoje Senhoras: Iolandas, Socorros, Dionéias, Marias, Jaciras, etc...
Eu, a parte, como sempre a margem, sentado no paredão, quieto como a tarde, observava a tudo e a todos.
Uma das jovens atirou uma moeda, seguidamente viera a sonora resposta:
“Lá vem a gauça avuando
Com um biquín perequeté.
Só num quero cupôvo saba
Rosa branca, qui teu amôr e José.”
Em seguida mais um tilintar:
Lá vem a gauça avuando
Cum biquíni para beber
Só num quero qui o povo saba
Rosa branca, ki meu amôr é você!
Outro tituliar, desta vez acompanhado de um pedido: Odete, Sebastião!
Ele: Odete ouça meu lamento...
Mais uma moeda e o pedido: Odete, Sebastião!
Ele: Odete ouça meu lamento...
Mais uma moeda e outro pedido: Odete!
Desconfiado o cego mete a mão na lata, constatando está a mesma cheia de pedrinhas, injuriado exclamou: O tabaco da Odete!
Correram todos rindo, eu testemunha ocular da cena, feito um louco aqui rio sozinho, quase cinquenta anos depois. Raposas Urbanas.
Era sábado, seis e meia, sete horas da manhã. Chovia. Não aquelas torrenciais e comuns dos invernos locais, mas um gélido sereno que me fazia engurujado. Retornava ao Alto dos Quatorze onde morávamos, voltando da “sôlta” do riachão donde deixava as vacas leiteiras, empresa pecuária,única fonte pecuniárias da família.
Das proximidades da Caixa-d’água e até a Igreja nova (Matriz de São Sebastião), dado o declive existente, e ser o “leito” da rua constituído de um argiloso solo, tornava-se mais liso que mussum ensaboado na presença dos turbos pluviais, transformavam-se contínuos e intermitentes sulcos, sendo preservado em estreito trilho onde passaria apenas uma bicicleta a cada vez.
À minha frente, ia um caboclo baixo, passos lentos e distraídos. Aos ombros carregando um pau-de-galinha. Uma meia dúzia em cada extremidade, todas com os pescoços voltados para cima, como que a contrariar a lei da gravidade. Aquí acolá uma “cocoricava”, como a reclamar do desconfortável transporte. Serelepe seguia o caiçara, quiçá pensando num bom negócio que iria realizar, e ou na possíveis aplicação do líquido capital que seria auferido, ou quem sabe...
Logo atrás vinham três ou quatro ciclistas enfileirados. Eis que o “pole position” resolve buzinar, com fito de alertar o transeunte que transportava os galináceos. Este se assustara com o “trim-trim” ao seu ouvido, e num ímpeto pulara à frente dos ciclistas, que concomitantemente caíram umas sobre outras. Na queda, sujaram-se todos com “barro-vermelho”, quando um ciclista revoltado gritou: “Perai fii duma égua!!!”. Ao mesmo tempo soltaram-se duas galinhas que fugiram, uma para um lado outra para o outro da rua. Ante a ameaça, o “galinheiro” repôs aos ombros o ora desfalcado pau-de-galinha, em quanto como num passe de magica surgiram ao menos dez pessoas entre adultos e crianças que sob o frio sereno perseguiam as indefesas “penosas” com a ferocidade dos canídeos- julpes, verdadeiras raposas da cidade.
O Matuto, o Cavalo e o Cigano.
Vindo dos lados das Flores era desses subnutridos, mas, sobretudo um forte sertanejo. Franzino, um fino bigodinho, olhar manso esboçando a sabedoria, prudência e simplicidade de nossa gente. Chegara por volta das nove dez horas , decididamente dirigira-se a feira dos animais.
Antes porem houvera dado um trato no seu ginete, levado ao riacho e caprichado naquele banho. Era um cavalo tordilho de médio porte, com aproximadamente quatro cinco anos de idade.
Muito bem tratado, pêlo agora mais reluzente após o tratamento de beleza. Em chegando a feira logo fora cercado por admiradores e interessados entre eles um grupo de ciganos com seu arrastado sotaque impregnado pelo dialeto, que os diferenciava dos demais presentes. Giron de cadon de celon! Coisas assim. Logo propuseram troca aproximando-se do matuto um trio com sua já conhecida técnica , falavam quase que concomitadamente , não deixando para que seu interlocutor pensasse ao resoponder. - Vamos dar uma t rocada ?! - Levas um belo animal de volta , batendo ao lombo de um velho e cansado jumento, completava o outro. - Aínda leva algum dinheiro de volta Giron, completava o outro. - O Matuto na sua calma própria dos sábios fê-los entender que nao interessaria trocar . - Entreolharam-se os ciganos . - E quanto queres no animal? - Sete mil cruzeiros, responde este. - Ah! quer meter mão -de-pilão em orifício retrofolicular de gato?! - Tentaram outra técnica. - Vamos tomar um negocinho alí Giron?! _ Vamos ,responde alegremente o Matuto.
Saem os quatro em direção a bodega mais proxima , Bar Alvorada . Um deles ordena ao Teuízio: Bote aí três canas ! Indaga o Matuto, três ou quatro ? Tres responde um deles , ele não bebe . Sabidamente um ficaria sóbrio para fechar o negócio. Conversa daquí. conversa dali , e o cavalo quanto é ? Oito mil cruzeiros, responde . Entreolham-se novamente os ciganos , Pausa... - Vamos tomar outra ? - Vamos responde o matuto. Disfarçam daquí e dalí e perguntam eo cavalo quant o é? - Nove mil cruzeiros ! Ele está nervoso , alega o sóbrio cigano, vamos tomar outra .
Voltam a bodega e ... mais três! Papo daquí papo dalí, até que um deles , notadamente o sóbrio pergunta : Qual é mesmo o preço do cavalo?! - Dirigindo-se ao animal , monta-o e com aquele soluço próprio do efeito etílico, replica" :O cavalo?! num tem preço não sinhô, num vendo pru dinhêro ninhum, eu ia vender pra tomar um porre, mas já tomei, vou mimbora viu?!" E se foi deixando os experts de boca aberta e brigando entre si.
Estávamos lá pelos idos de mil novecentos sessenta, sessenta e um por aí.Já começava eclodir o progresso, eram os anos JK, rareavam-se as tropas e os tropeiros.
Onde se via o vazamento do combustível das réquias , ora observava-se no ar o peso do monoxido de carbono.O tropel da cavalhada ia dando lugar gradativamente ao rangido dos pneumáticos no paralepípedo. O escandalosos`ornejos da jumentada ia se transformando num misto do trom dos motores a explosão entrecortados por estridentes buzinas.
Eram os caminhoês oriundos da serra do sertão e de outras paragens. Um simples, outros bem equipados com pneus banda-branca,reluzentes calotas, antenas encimadas por bandeirinhas diversas, entres estas a brasileiras e ou as dos clubes do coração. Guarda-lamas com singelos quadros, quase padronizados,uma casinha branca,,alguns coqueiros, um terreiro,uma lagoa etc.. Aquí, acolá,a excêntrica figura do amigo-da-onça empandilhando a paz de alguém. Para-choques difundindo as mais vãs filosofias dentre algumas destacamos:
FELIZ FOI ADÃO NÃO TEVE SOGRA NEM PATRÃO; SE TRABALHO GERASSE RIQUEZA JUMENTO TINHA CASCO DE OURO.
Seus proprietários eram idolatrados por todos, do infinito rol destacamos:
CACHORRÃO: Ou Raimundo cachorrão,ao contrário do que induzia alcunha tratava-se de um manso e pacato cidadão, nada a ver com o cognome.
GATÃO; Famoso por manter senpre caminho~es novos ,bem equipados,abastecia as mercearias circunvizinhas de Fortaleza e Sobral.
Piné: Corruptela de Pinel,iamgino,por ser o mesmo arrojado ao volante.
Favela : Seu Antonio Favela , notório pelo descaso dispensado ao seu chevrolet 1954. Tendo certa vez perdido a carrossaria, conforme conta seu Antonio Martinzão.
Raimundinho Freitas, o estragado, assim de nominado pelo excesso de zêlo dispensado ao seu FORD.
O Zezé do seu Manu Carlos,cadê aquele minino com seu chevrolet Brasil? João Italiano e seu três boléias ; Seu Arlindo e o joãozinho, e tantos outros .
Dionízio : Não o Grane nem O Pequneno, mas o caminhoneiro e seu GMC, que vendo um numeroso grupo de pessoas que desjava embarcar no seu pequeno caminão lagou esta pérola do cearencês:
Em meu carrin réi só rai quem que rêi quem num rêi num rai"
Da série cenas da feira O Ipuense Cidade de São Sebastião de Ipu ,manhã de Abril , o ano não saberia precisar ,mil novecentos es sessenta e dois, tres , talvez. Era um ensolarado sábado, sob cada mungubeira da cidade dormitavam "sub jugos” réquias cargueiras vindas do interior do município.Depois de vencidas léguas e léguas transportando pesados fardos , aínda assim retinham enrgia para uma masturbação, demostrando seus dotes físicos ,"GIGANTES PELA PRÓPRIA NATUREZA", atraindo ou desviando os olhares das pudicas moçoilas que alí passavam. Entre a praça JARDIM DE IRACEMA e o prédio do BANCO DO BRASIL havia uma frondosa mangubeira .
Ao contrário das demais,como descrito, alí estava uma solitária jumentinha , talvez por precaução do seu dono ,ante os ímpetos sexuais da espécie mormente os machos , talvez mera coincidência .De repente o solitário animalzinho deita-se e começa a esponilar-se, aí alguém para , mais um, outro,outro mais, forma-se um círculo, surgem os palpites. Isso é dor-de-barriga preconiza seu Vicente Rocha , que lentamente segue seu caminho. Nunca viram um animal se espojar magote de fii dumas éguas !? Vocifera o Feroz e segue seu caminho.Continua o grupo absorto,de repente algue´m observa o rompimento da bolsa e o vazamento do l´quido amniótico.Era o milagre da vida acontecendo,nascia um jumentinho.
Naste instante o gaiato do FLORIVALsugere: Aquele a quem o jumento primeiro olhar é seu pai! Pois o tênue rebento , rodopiou nas patinha fazendo um cículo de quase 360 graus como a perfilhar-se de todos os presentes . Risos.... Alguém sugere um nome?! Pergunta o Florival -Gangão! -Carretel! -Andaluz! Alguém sugere que o animalejo levasse o nome do Zevaldo.
.Como houvera protesto deste ,instalou-se uma assembléia Geral Extraordinária de cuja pauta se lia : 1- O nome do jumento. 2- Assuntos gerais Por maioria relativa dos votos dos presentes ficou decidido o nome de I P U E N S E. Em assuntos gerais o Chiquinho Soares alegou que ao Sr Zevaldo não assistia razoes para protestar vez que o mesmo era o Rei das jumentas do Ipu.Acusando aínda de ter omesmo mantido um caso homosexozoológico com um jumento Bicó do seu Toto Beluca.
Sem mais para grafar , eu joao antonio martins lavrei a presente ata que por mim e pelo sr presidente aquí vai assinada.
Bodão x Bombeiro
ago / 2004

Refletido do meu caleidoscópio da memória como um incidente raio da vida, vivida ha pelo menos quarenta anos passados, tranporta-me a mais uma cena da feira do Ipú,reviscerada em vendo a fotografia do Bodão.
Conforme descrito Bodão era um "carreteiro autonomo" , slavo engano residia às proximidades da "Cadeia Pública, hoje Casa de Cultura Valderez Soares, minha xsuadosa mestra de Educáção Art´stica. Tinha como seu parceiro pricipal, de copo e de cruz,um outro carreteiro "free lance" de nome Bombeiro. Por volta de doze treze horas já reduzia-se o alarido a feira dos sábados, silenciavam-se os prego~es dos vendedore: De farinha- a mais famosa , do São roque; Feijão dos Inhamuns; Rapaduras da Boa Vista, a mais alvinha e doce como os lábios de Iracema...
Persistiam apenas alguns propagandistas que teimavam em demonstra r a eficiência das suas miraculosas mesinha: Oleo do peixe puraqué, o peixe elétrico do Amazonas que afirmavam era excelente no tratamento da artrite, artrose,bico-de-papagaio, além de ser um santo remédio praquela castanhas qui o povo chama de rim (grifo do Florival). Um outro com um velho microfone enrolado a um mulambo, som amlpificado por um também microfônico auto-falante, exaltava o exuberante poder de cicatrização do óleo de baleia, cortando-se com uma velha lâmina de barbear.Em uma velha mala trazia consigo sempre um manso e indolente lagarto, vez por outra amea çava abrí-la,com o que afugentava os mais audazes curiosos que se aproximassem, reiterando que iria soltar a cobra.
Encerrava-se outrossim minha "longa" semana, restando-me devolver ao meu pai o capital auferido na venda das rapaduras, o que fazia religiosamente. Nao me era deferido muito tempo para lazer, entretanto os pequenos lapsos , dadas as raras oportunidades que tinha em vislumbrar o vai-vem das pessoas , eram aproveitadas ao maximo, guardando a sete chaves os acontecimentos e ou suas sigulares similitudes.
Nas proximidades da loja do Sr Zé Osmar ficava a banca do Mané Galinha Morta, parceirão do Ciço Rico, este que por exibir um aureo sorriso (popular boca rica) era asssim conhecido; Aquele pois seu slogam ao ofercer suas quinquilharias era sempre: UMA GALINHA MORTA ( gíria da época que significava muito barato) Presenciei certo sábado a dupla BB ( bombeiro e bodão), já devidamente "melados" desmontando a banca do então ambulante, hoje próspero e estabelecido comerciante Mané GM que a levariam alhures após a feira . Punha o bombeiro às costas do Bodão as encaixilhantes madeiras quando este produzuiu a seguinte frase ,retroz do meu exdruxulo memorizar , das mais profundas nulidades não fossem dos personagem que eram: Oh! cunhado! não me faças uma pombalidade dessas em meus intestinos lombais" !
Por João Antonio Martins
O Escandaloso
Seu Manuel Sativo era um senhor de baixa estatura, taciturno, contava à época com seus cinqüenta anos. Chapéu de palha-de-carnauba, abas largas quebradas a frente, que sempre retirava ao cumprimentar alguém, ou punha sob o braço em qualquer comemoração cívica. Calças de mescla imperial, camisa de riscado de punhos longos e sempre cerrados, abertura fechada até o ultimo botão; tudo isso sobre suas “alpercatas currulepos”; Enfim, homem de rígida formação moral bem aos padrões da época.
Casado com Dona Bela Satiro, sobrenome advindo via de regra do marido, sob a égide da Santa Igreja Católica.
Ela trajava seu vestido de chita, sempre aos tornozelos, trazia às mãos suas sandálias, que somente punha aos pés`ao chegar à cidade, ao que parece por hábito dos “serranos” ou medida de economia.
Levavam vida simples, viviam basicamente da fabricação de cordas de caroá (do tupi-guarani – kara-wá – Talo com espinho) espécie de fibra natural da região dos carrascais da Ibiapaba.. Lado-a-lado iam às feiras onde vendiam o produto de seus suores e o sumo de sua arte. A principio tinha renda garantida, quer pela abundancia do vegetal. quer pela diversidade do seus compradores. Com o decorrer do Tempo fora seu mercado esmagado com os “cabos de agave”, já com cunho da industrialização, portanto mais abundantes, consequentemente a preços mais competitivos, até por serem mais duráveis e mais fortes. Por conseguinte foram os mesmo substituídos pelas cordas de nylon, engolindo-os com a voracidade da questionada modernidade.
Entretanto nos áureos tempos ainda, em um daqueles sábados seu Manuel e Dona Bela venderam toda sua produção semanal, logo ao expô-la à mercancia. A “feira” das cordas dava-se ao lado da “feira das loiças”, isto é, estendia-se mais ou menos da residência do Sr. Oscar Coelho indo até as proximidades do Bar Cruzeiro.
Em ali estando o simbólico casal, fora alertado com a “sineta da Estação” que a todos avisava da chegada do trem-de-ferro.
Dispondo do tempo seu Manuel convida a Dona Bela a ir conhecer a maria-fumaça.
Chegando à Estação ficaram abismado com o povaréu sobre a plataforma. Precavidos, mantiveram-se afastados com os olhos esbugalhados, embora carcomidos pelo tracoma”. Na expectativa da chegada do comboio, um olhava para esquerda e o outro para direita. Eis que o trem chegara, do lado que vigiava a Dona Bela. Ao aproximar-se ela puxa-lhe o braço e diz:
- “Vem cá Manel, espia!
- Ele olhou e vislumbrou em seu pasmar, uma muralha de negrume se movimentando com a conhecida onopatopáica: “ Café com pão, bolacha não.. Admirou as rodas que não saiam dos trilhos. Observando seus movimentos, viu ao lado de cada uma delas enorme cilindros dos quais saiam lubrificadas hastes que iam e voltavam proporcionando seu movimento. Segurou a mulher pelo braço dizendo:
- “Vamos “simbora” Bela! Isto é escandeloso!”
Contava esta estória repetidas vezes, mormente depois da “bicada” que dava na bodega do seu cumpadre Chico Gabriel, onde algumas vezes guardara as excedentes das feiras. Ressaltava ainda ter deixado de ser meeiro de um grande sitio, pertencente a um nobre cidadão Ipuense, em virtude de sua denominação: “lasca da velha”. Ainda, enquanto vida tivesse não admitiria seus olhos virem cenas tão lancinantes.
Seu Manoel e Dona Bela, que Deus os tenham.



domingo, 28 de setembro de 2014


OS ANIMADOS BAILES DO REGATAS
Amigos,
Acordei hoje às três da madrugada com um pensamento – retalho, certamente, de um sonho – os animados bailes do Clube Regatas na Barra do Ceará.
Os anos eram os setentas. Morava eu na Vila Diogo, um quarteirão encravado no quadrilátero da Duque de Caxias, Pedro I, a neta deste, Princesa Isabel e sua nora, Tereza Cristina.
Por essa época do ano, espocavam os bailes de formatura. Os mais aburguesados eram realizados no Náutico, Ideal e Líbano. Os mais populares, e os meus preferidos, passavam-se no Clube de Regatas Barra do Ceará.
Os convites arranjavam-se sabe-se lá como... Muitas vezes não se conhecia nem o formando, o dono da festa.
Alugava-se um paletó surrado, passava-se uma demão de graxa nos velhos sapatos pretos, porque a mamãe já dava conta de engomar “com grude” a única camisa branca de mangas exageradamente compridas. Nos seus punhos tinham três botões pequenos que ainda hoje não sei de sua serventia, pois somente um me bastava...
O relógio marcando oito da noite, rumava eu para a bodega do Seu Chico e me abastecia de um tablete de dropes e umas duas caixas de chicletes Adams, para refrescar a boca ...e o coração. Antes de pagar a conta tomava uma talagada de Bagageira para “esquentar” e dar coragem, porque a viagem era longa e a emoção maior ainda...
Do Seu Chico para a Guilherme Rocha era um pulo só... Era lá que eu pegava o ônibus da Empresa São Vicente de Paulo, que fazia o trajeto da José de Alencar a Barra do Ceará.
O ônibus era verde e branco por fora e estava branco e preto por dentro. Eram as cores da empresa contrastando com os vestidos brancos das moças e os negros ternos dos rapazes. Naqueles tempos os bons costumes ainda não estavam a arquejar, por isso, as damas iam sentadas e os cavalheiros em pé... e tome Praça do Liceu... e tome Francisco Sá...
Quanto mais se aproximava o ponto de chegada, mais o meu coração pulsava de emoção, ensaiando talvez o bailado de uma valsa ao som do Ivanildo e seu conjunto. Solavancos à parte, chega o ônibus ao Regatas. Dou uma ligeira mexida no bolso para corrigir se o convite está “em paz”, pois, nessa ocasião, ele é mais importante do que mesmo a minha RG e uns parcos trocados.
Pronto! O último obstáculo é vencido! Estou no Regatas! Daqui pra frente sou movido pela emoção e pela vontade de tirar uma moça para dançar nos amplos e bonitos salões daquele clube à margem do Ceará. A missão foi cumprida! O paletó amassado. O meu corpo suado e o coração tonto de emoção, agradecidos, voltam à parada do ônibus que fará a vida tomar a sua estonteante rotina.
Abraço fraterno,
João Tomaz (Tontim)
Parte superior do formulário
Parte inferior do formulário




O mundo dos escravos em Ipu

A ocupação do Ceará foi diferente daquela ocorrida em outras áreas do Nordeste açucareiro. Traduziu-se em um processo mais lento e coube à pecuária bovina abrir fronteiras e consolidar a sua ocupação. A criação do gado possibilitou a configuração de uma sociedade diferenciada quando comparada ao litoral açucareiro, exigindo pouca mão de obra. Todavia, a introdução do braço escravo não deixou de ocorrer e ser significativa. Assim como no Ceará, de um modo geral, ela se fez presente em todos os ramos de trabalho, tanto no espaço rural quanto urbano. Os negros estavam presentes na pecuária, nas atividades agrícolas, em serviços especializados (pedreiros, barbeiros etc), nos serviços domésticos, como escravos de aluguel ou de ganho.
As áreas onde predominava um maior número de escravos eram aquelas em que as atividades principais se concentrava na pecuária e/ou na agricultura. Tais áreas possuíam um montante de mais de 500 escravos. A cidade de Ipu entre 1857/1858, 1872, 1873 e 1881 - períodos em que conhecemos as estatísticas -, possuía mais de 600 escravos, chegando a ter em 1873 e 1881, respectivamente, 835 e 934 cativos.
            É interessante mostrar que o número de escravo em Ipu aumentou em um momento em que na maioria das províncias cearenses o seu número diminuía. Uma das explicações para esse fenômeno diz respeito ao fato da Vila Nova do Ipu Grande estar em pleno crescimento econômico.




O Comercio no alto dos 14.
A agricultura no Ceará nas décadas de 60 e 70 foi marcada pelo cultivo do algodão, oiticica, castanha de caju, e etc.
O comercio desenvolvia-se em função destas culturas, que aqueciam o mercado e programavam a indústria tão importante, aquela época, para a economia do Estado.
O Ipu viveu boa fase comercial de sua história, o movimento, “para aqueles tempos que já vão longe”, era intenso o movimento de caminhões e trens cargueiros que transportavam os referidos produtos para a capital cearense e até para fora do Estado.
Dos bairros mais antigos da cidade, o Alto dos Quatorzes, viveu uma era de glória, destacando-se como referencia no ramo do comercio, graças ao empreendedorismo dos comerciantes, ali residentes, dentre os quais se destacam: Obed Paulino atuava na parte alta do bairro, próximo a cancela onde funcionava o posto fiscal naquela época. Além de exímio negociante, seu Obed gozava do privilegio de ser irmão de Antenor Paulino, intermediários que fazia a ponte entre o comercio local a capital e outros centros comprando no atacado e transportando toda produção subsidiada pelos comerciantes do bairro até a cidade.

Pioneiro, no Alto dos Quatroze, Antonio Soares Lima foi uma personalidade marcante não só pela aptidão para o comercio, tino natural da genética dos Soares, mas também pela politica de subsistência que sempre norteou os rumos a seguir nos comércios a muitos ele ajudou dando emprego, oferecendo opções de Trabalho; ao agricultor financiava o plantio para receber na colheita, o que muito contribuiu para o sustento de muitas famílias.
Dos mais antigos negociantes ali chegaram pelos idos de 1932, instalado pequena mercearia para atender aos residentes e adjacentes, no trecho que corresponde hoje a Praça Doroteu na época chamada “Rodagem”, nome por ele batizado e que perdurou por muitos anos, logo criou uma fabrica de sandálias e cintos de couro, cujos funcionários eram Mestre augusto e Sebastião Jorge, profissionais experientes na arte de lidar com couro.
Ao Sr. Manuel Pretinho fincavam as compras de melancia, para os mercados de Sobral de Fortaleza.
A família Biluca foi outra beneficiada pela visão otimista de seu Antônio. Joao, Sebastiao e Cuta Biluca, comercializavam produtos feitos de palha da carnaúba, coisas muito usadas e apreciadas naqueles tempos.
Seu vasto casarão de oito portas servia de armazém para os mais variados tipos de gêneros.
Era grande o movimento de clientes nos finais de semana. Dali saia carradas de algodão, mamona, oiticica, castanhas de caju para o mercado de Fortaleza.
Mas, Antonio Soares pode contar com a ajuda valiosa de sua esposa, Sebastiana Pontes, que teve relevante importância na jornada de ascensão comercial.
Outro comerciante de vulto foi o Joaquim Holanda Cavalcante, localizada onde funciona hoje a loja de carros, vizinho ao semáforo, e ainda tinha uma pousada onde hospedava os viajantes.
Escrito por; Irene Soares.
Conceituada Professora do Ipu.




sábado, 27 de setembro de 2014


Meu Pai! 
Uma rede de tucum armada numa sala de jantar e nela recostado, negligentemente, um seresteiro dedilhava suavemente nas cordas de um violão, uma antiga canção “Rancho Fundo”.
Ora assobiava, ora cantava baixinho. No seu rosto havia uma expressão tal que eu tinha a sensação que ele era a personificação daquela música.
É uma canção bonita e saudosa. Suas notas possuem o poder de trazer de volta, por alguns instantes, as emoções sentidas no nosso convívio alegre com meu Pai.
O tempo passou rápido, marcado pela irreversibilidade das horas e dos sons dolentes de belas melodias, executadas com maestria pelas mãos magicas do saudoso seresteiro.
E a alegria se transformou em dor!  
Durante dois anos, ele arrumou, serenamente, a sua bagagem. E um dia. Ao alvorecer, junto com o canto da passarada, armado de muita coragem, partiu. Foi morar noutras paragens, onde os anjos se misturam com os poetas seresteiros. E nem perto dele eu estava para o ultimo e dolorido adeus.
No velho birô a companheira de tantos anos, silenciou suas teclas. Era velha maquina de datilografia.
O sonoro pinho emudeceu tristemente.
Se não existisse ali, sobre a mesa, uma fotografia, nem sentiríamos falta, pois cada objeto nos fala dele e sentimos a sua presença, viva em tudo. É como se o seu espirito estivesse sempre rondando nesse ambiente antes tão seu.
Não vou esquecê-lo, nunca’
Como se pode esquecer um rosto alegre, palavras amigas, de gestos cuidadosos de um Pai!
Ali naquela janela, onde ele gostava de ficar recostado, roendo as unhas, olhando a rua ou o céu, falava pra mim coisas importantes que aprendeu ao logo de sua vida e de experiências adquiridas ao correr do tempo. Fatos interessantes não eram dispensados e contados com uma graça sem igual.
Se o tempo anunciava chuva, o braço moreno apontava a a direção de uma nuvem e o ensinamento acompanhava o gesto. “Minha filha, nuvem, com capelo, tem agua”. Chove na certa!
Como posso esquecer?
E o terrível medo dos relâmpagos, era tão grande quanto seu orgulho de ser Ipuense.
Sempre que havia um acontecimento de maior relevância aproveitava a ocasião e deixava uma lição para a vida; de alegrias, esperanças e, até, mesmo, de amor a terra natal.
Porem a maior e mais importante de todas elas nos foi dada em silencio já no fim dos seus dias, quando a terrível doença já desaparecido no rosto moreno; O seu espirito estava lá, em pé, forte cheio de lutas e coragem, mostrando a todos que não devemos nos curvar diante dos revezes da vida, mesmo que as grandes tempestades nos atingiam cruelmente.
Senhor Alberto, onde quer que você esteja – cá, entre nós, numa outra dimensão inatingível pela riqueza de nossa visão, ou quem sabe, recostado na ponta de uma estrela a olhar amorosamente sua pequena Ipu, sinta na vastidão do Universo - saiba que bem perto de você, estão os nossos corações cheios de saudades e que uma lembrança durará em nós até o dia em que nos encontrarmos para ouvi-lo cantar, novamente, a bonita canção “No Rancho Fundo”.



Parte superior do formulário
Parte inferior do formulário

Postado por Hélio Lopes em 10/04/2013

Açude do São Bento o maior de Ipu, construído por Zezé Carlos.

Situado na localidade de São Bento, a 26 Km da sede do município, o açude foi construído no ano de 1993, e inaugurado no ano de 1994, pelo então prefeito de Ipu, Zezé Carlos,  com o proposito da amenizar a escassez de água que passava os moradores  daquela localidade e localidade círculos vizinhas. 
O açude é o maior reservatório de água Ipuense, com a capacidade de 10.800.000 litros cúbicos de água, com marges que se estende do localidade de São Bento até o distrito de Recanto. 
O açude do São Bento é considerado pelos moradores como um presente dado a comunidade pelo empresario Zezé Carlos, visto que somente  20% dos recursos para a construção do açude veio da prefeitura e outros 80% foram doado pelo empresario, que lá também trabalhou, cavando e carregando barro em carrinho de mão, como conta os moradores.
 O açude hoje é um ponto turístico Ipuense, sendo nos finais de semana um ponto de lazer e descontração para famílias e amigos nos balneários que lá existem. 
Curiosidade:
 Logo após as eleições municipais do ano de 1996, o prefeito eleito e apoiado por Zezé, Simão Martins, racha com o grupo político e passa a administrar a cidade de uma forma autônoma, diferente dos quereres do ex-prefeito. Com isso meses a frente o racha político, o prefeito Simão divide o açude do São Bento em 2, construindo uma parede na então localidade de Recanto, para poder dar acesso aos moradores do Recanto a outras localidades. 
A iniciativa tomada foi encarada de uma forma politiqueira e  fortaleceu um disputa ideológica entre as duas localidades, que já existia entre as moças e rapazes daquelas comunidades. 
Com a divisão do açude, ambas as localidades passaram a tomar posições políticas diferente em épocas de eleição. No São Bento o representante da família Carlos era o senhor Dedé Alcides (Meu Tio =D), no Recanto o apoiou a oposição ficava por conta do ilustre senhor vereador José Araújo. Recordo-me das eleições de 2004, quando uma disputa acirrada entre as duas localidades existiu por conta da campanha eleitoral. 
No São bento cerca de 100% dos moradores eram os cururus e Recanto era fechado com Pica-paus, logo após as apurações daquela eleição, que deu a vitória a Corrinha, os pica paus saíram vitoriosos e marcaram para o final de semana da frente a "Carreata da Vitoria", carreata esse que foi uma verdadeira guerra civil entre  essas duas localidades Ipuenses. 
Ao anoitecer do domingo, um grupo se reunia no balneário São Bento, marcando a concentração da carreta, outro grupo esperava a manifestação na casa do senhor Dedé Alcides. Quando se deu inicio a carreata um grupo de baderneiros avistaram retratos da ex-prefeita derrotada Toinha Carlos na residência do senhor Dedé, e saíram da rodagem para quebrar a casa do velho correligionário, neste momento deu-se inicio um verdadeiro quebra pau, onde foi atirado pedra, sal e bombas uns contra os outros. A confusão só sanou quando de longe ouviram um tiro, que não se sabe de onde veio, e todos correram. 
O único candidato que conseguiu aliar as duas comunidades foi Sávio Pontes em 2008, quando mesmo  candidatos situacionistas que apoiavam a reeleição dos Pica Paus, não conseguiram agregar toda comunidade e destruir a proposta do governo novo tempo trazido Sávio. 
Hoje as comunidades se tratam como irmã, e uma boa relação é existe


sexta-feira, 26 de setembro de 2014


Biografia de São Francisco de Assis
São Francisco de Assis nasceu entre os anos de 1181 e 1182, na cidade de Assis, Itália. Seu pai, um rico comerciante de tecidos, freqüentemente viajava para a França, de onde trazia a maior parte de suas mercadorias. E foi em homenagem ao país que seu pai batizou o filho de Francisco.

Francisco, jovem e rico, era alegre e aproveitava as noites e as festas, estando sempre presente em banquetes e serenatas pela cidade.

Em 1201, Francisco partiu para uma guerra na cidade de Perúsia, encorajado pelo pai e pelo desejo do jovem de obter fama e mais dinheiro. Porém, a guerra não saiu muito bem como planejado por Francisco. Foi tomado como prisioneiro e assim permaneceu por meses, até conseguir sua libertação.

Ao voltar para casa, Francisco é acometido pela fraqueza, provavelmente conseqüência dos tempos de prisão. E é a partir desse momento que Francisco passa a sentir-se e também a agir de maneira diferente.

Rejeita o dinheiro e as coisas mundanas, que antes o apraziam. Volta-se para a oração e para ajudar os pobres e leprosos. Uma famosa passagem de sua vida, inclusive, conta que beijou um leproso, em sinal de amizade, que antes lhe causava repúdio.

Entrou em conflito direto com pai, quando vendeu todas as suas mercadorias para dar dinheiro aos pobres e comprar material de construção, para completar a reforma de uma igrejinha.
Esses conflitos desencadearam na fúria do pai de Francisco, que o deserdou.

Muito jovem, aos 25 anos, Francisco aceita a decisão do pai e renuncia definitivamente os bens paternos. Entrou de vez para a vida religiosa, fundando a Ordem dos Frades Menores e a Ordem Terceira.

Foi em 1224 que Francisco recebeu os estigmas de Jesus crucificado em seu próprio corpo, dois anos antes de sua morte.

São Francisco de Assis foi canonizado pelo papa Gregório 9º em 1228.





Festa Religiosa de São Francisco foi celebrada na cidade de Ipu na sua vez primeira no ano de 1936 pelo então Vigário Mons. Gonçalo de Oliveira Lima, sofrendo uma interrupção no ano de 1993, simplesmente por capricho e rancor do vigário da época, o Pe. Moraes, aliás, ele sempre gostou de acabar com as Festas Tradicionais da cidade.

A iniciativa da Festa de São Francisco foi do Sr. Francisco das Chagas Paz que se encontrando com sua esposa Dona Raimunda Mello, filha de Anastácio Corsino de e Melo e dona Doria; bastante doente a ponto de não encontrar uma medicação para os seus males, resolveu fazer uma promessa com São Francisco e alcançou, tendo sua mulher totalmente curada da sua doença. Convém salientar que o Senhor Paz foi caminhando ou como dizemos comumente a pé, para Canindé e mais uma pequena comitiva de familiares seus.
O mesmo foi a Canindé agradecer as benesses do Santo e quando de volta já trazia em mente a criação da Festa de São Francisco o que foi prontamente aceita pelo virtuoso Mons. Gonçalo de Oliveira Lima.
O Senhor Paz recebeu também o apoio irrestrito dos seguintes ipuenses: Francisco Gerson Assis (Chico Gerson), Plácido Passos e Pedro César Tavares.


·       (Dados colhidos dos Arquivos de João Anastácio Martins (João Chiquinha) e Valdemira Coelho).


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Sr.Chico de Matos, homem circunspeto, retraído morava em casa alugada situada a Rua Pe. Feitosa em Ipu.
Viveu a velhice da sua casa para Igreja. Antes fora funcionário da antiga R.V.C.
Chamava atenção pela maneira de se comportar na Igreja dedilhando o seu Rosário, cujos mistérios eram separados por medalhinhas.
Rezava balbuciando os lábios sem que ouvíssemos a sua voz, depois tirava de um dos bolsos do seu grande paletó de cor CAQUI, um livro de orações e lia sempre articulando os lábios.
Fazia inúmeras vezes o “Sinal da Cruz”, com muita devoção e piedade.
Não perdia nenhum ato religioso na Igreja especialmente a missa que freqüentava diariamente.

Morreu em idade avançada como justo que soube aproveitar a sua passagem na TERRA, entretanto, hoje, tenho minhas dúvidas de que não está no CÉU, pois de TANTO REZAR pode ter PASSADO

HISTÓRIAS DE VICENTE ROCHA

Vicente Belém Rocha, depois que ficou viúvo resolveu fazer o que não tinha feito na sua mocidade, dançar muito (na ponta dos pés) subir e descer nos altos postes da antiga Cenorte, hoje Coelce, ser treinador de time de futebol e eterno político combatendo sempre os erros dos administradores.
Certa vez fazia uma volante anunciando um jogo de futebol que aconteceria na cidade, e ao passar por perto da Igreja Matriz, onde o Padre celebrava a Missa das nove horas, ouviu um sermão inflamado que o mesmo estava fazendo para os seus paroquianos.Visto aquilo Vicente que gostava das coisas direitas diz bem baixinho no microfone da amplificadora “HEI PADRE? DEIXE DE CONVERSA FIADA, EU QUERO É O CEMITÉRIO LIMPO!” Não quero saber de gritos na Igreja não! Naquela época o Cemitério era muito sujo e mal zelado, pois era administrado pela Paróquia.

Antonio Carvalho Martins, e com a armação satírica do Dr. Célio Marrocos, apronta umas das boas com o ínclito VICENTE BELÉM ROCHA.
Estava em épocas de eleições para Presidente da República, cujos candidatos eram: Jânio Quadros e General Teixeira Lote, respectivamente cognominado homens da vassoura e da espada.
Ao ser indagado sobre as eleições para Presidência da República, e outras coisas mais;
Vicente responde: Não estou sabendo de nada.
Não tarda e logo em seguida outro ataque, desta vez é o Antonio Martins quem fala:
Vicente, por que você com toda esta sua capacidade e com tão polpuda cabeleira (de leão), não se candidata! Ainda com a palavra Antonio Martins passa a dar uma “cordinha” dizendo Vicente aceite ser candidato você reúne todas as condições! Você já está até mesmo parecendo com este seu jeito de Político, de Presidente da República.
Vicente sem muitas delongas responde: já que vocês estão insistindo muito eu ACEITO. Mas quero o apoio de todos, mesmo porque eu não posso trabalhar só, é uma campanha muita pesada e difícil.
Todos aplaudem Vicente. Tudo isso aconteceu no Banco dos Velhos, como estava combinado. Naturalmente todos confirmam o apoio que para Vicente era por demais valioso. Mas Vicente retruca ainda:

Não pensem vocês que vou trabalhar somente por Ipu, eu tenho que trabalhar por Reriutaba, Cariré, Amanaiara e outras cidades da região.
Vejam que ingenuidade!...

É verdade!...      
TIO VICENTE LUCINDA E SUAS HISTÓRIAS
Ticente, era assim que nós o chamava, era um mulato alto, forte, muito educado, de uma delicadeza que encantava a todos. – Irmão de meu Pai - Mas as qualidades que o tornava diferente dos demais eram sua coragem e uma força física descomunal que ele tinha. Era valente e justo. Ser amigo seu não só era muito bom, como também, em muitas ocasiões, poderia ser uma garantia de vida - sua força física e sua coragem garantia isso.
Certa vez tivemos que mudar um bilhar francês que pesava algumas centenas de quilos, de um salão para outro e o Tio Vicente estava presente; o convidamos para nos ajudar.
Ele estava sempre disposto a ajudar quem o solicitasse. Enquanto colocávamos oitos homens de um lado, de outro lado estava ele sozinho, ainda rindo dos pobres mortais.
Outra vez, quando morreu seu irmão que era casado, ele teve que ir a cidade com sua cunhada, - agora viúva - para assinarem uns documentos.
E foram a cavalos. No caminho, encontraram um caminhão e, como a estrada era muito estreita, ele desceu de seu cavalo. Pegando o cavalo de sua cunhada para puxar para a margem da estrada para dar passagem ao caminhão, não só o cavalo não quis sair, como começou andar de ré.
Tio Vicente, com sua força, fez o mesmo parar. Ele puxou o cavalo pelo cabresto, fazendo-o ir para frente arrastado, deixando marcas das quatro patas naquele barro duro.
Nas quedas de braços, Tio Vicente era imbatível.
Dizia ele só ter perdido uma vez. Foi para um deficiente físico e que só tinha uma cana de braço. Que dizer, só tinha rádio ou “ulna”. Fora isso, nunca perdera para ninguém. Mas a história do Tio Vicente que mais marcou foi uma que eu fui o principal personagem.
Eu era rapazinho, tinha chegado do Rio de Janeiro.
Tinha vindo morar em nossos Morrinhos, uma família de fora.
Era um pessoal muito simpático e tinha, nesta família, várias moças bonitas. Uma destas moças, a mais velha, era namorada de um filho de um “Coronel” lá de onde eles moravam - era esses coronéis de patente, que eram sem nunca ter sido - era um rapaz de uma certa idade e muito ciumento.
A menina começou a se interessar por mim, e no começo nem mesmo eu percebi e também não sabia que ela era namorada do tal ciumento.
Acontece que o sujeito, além de ciumento também era brigão; sempre andava armado.
Houve um baile na casa da tal família e eu fui.
Começou a música e a convidei para dançar, saímos dançando e, neste momento, apareceu o tal namorado dela.
O sujeito não perguntou nada e, mesmo pela janela, tentou me alvejar, sacou o revólver e disparou para dentro do salão, por cima das cabeças dos pares, nos quais, eu me incluía.
Acontece que ao lado dele e muito atento estava o Tio Vicente. Num relance muito rápido, fração de segundo, ele o segurou na mão esquerda do sujeito, deixando a mão direita do mesmo livre e com um revólver.
Torcendo-lhe a mão, pergunto-lhe:
- Fulano! Em quem era que você queria atirar?
- Não digas que era no meu sobrinho? Não, não, o que é isso!
- Seu Vicente foi apenas uma brincadeira.
Então meu tio continuou torcendo-lhe o braço e ordenou que ele largasse a arma. O cara largou-a e meu tio ordenou que alguém da casa a guardasse.
Conversando comigo no outro dia, em minha casa, ele me contou tudo, como tinha acontecido, uma vez que somente vi a confusão, mas não participei de nada e nem sabia que fazia parte do ocorrido. Então lhe falei:
- Tio, o que o senhor fez não foi coragem, foi loucura, o que o senhor fez é suicídio. Segurar um homem ciumento, deixando-o livre com uma arma na mão! Você tinha era que lhe tomar a arma.
Então ele disse-me:
- Eu também estava armado. Não era justo, não era honesto, deixá-lo em desvantagem.
Portanto, só assim poderíamos ver quem realmente tinha coragem.
Do livro: “O Anjo da Noite e Outros Contos” ©

OS DOIS AMIGOS
Vicente Lucinda e Gonçalo Doroteu eram agricultores e proprietários de terras no Sítio Morrinhos, no município de Campo Grande, hoje Guaraciaba do Norte no estado do Ceará.
Esses dois senhores eram muito amigos. Eram colegas de caçadas nas Macambiras, eram companheiros nos forrós que, na época, chamavam samba, quando era de cunho popular, e de baile, quando era de cunho social.
Também eles se encontravam com outros amigos, na casa do Antonio Cândido, - colono de meu pai - nos fins de tardes para um jogo de cartas, onde jogavam três setes, bisca sete e meio e outros; no víspora, eles rifavam queijos e outras coisas.
Vou chamá-los de tios; pois o Vicente Lucinda era realmente meu tio, e o Gonçalo Doroteu, apesar de não; todos o chamavam de Tigonçalinho. Era assim que eram chamados todos os mais velhos em minha época.
Os dois tinham mais um motivo para serem amigos, o Tigonçalinho era padrinho de um filho do Tio Vicente. Eram compadres.
Em 1952, os filhos do Tigonçalinho, que já moravam no Rio de Janeiro, compraram um sítio no município de Nova Iguaçu, no estado do Rio de Janeiro e levaram ele e a família para morar lá. Os filhos do Tigonçalinho já haviam casado, quase todos, portanto sua família se compunha agora da esposa e uma filha excepcional.
Lá neste sítio, no lugar chamado Ambaí, os filhos dele construíram um pedaço dos Morrinhos, inclusive com uma casa de farinha, coisa inteiramente desconhecida no lugar.
Em 1954, havia chagado ao Rio de Janeiro, vindo do Ceará, viera para este sítio uma moça da família da namorada de um dos filhos do Tigonçalinho.
Como a colônia do pessoal dos Morrinhos naquela ocasião ainda era pequena e que a saudade da terra natal era muito grande, a gente arrumava sempre algum motivo para nos reunirmos e, consequentemente, falar das coisas da terra alencarina tão distante.
Tínhamos bom motivo, promoveu-se um tipo de festa-americana, em que todos se cotizava, contribuíam com alguma coisa e fazíamos a festa.
Eu tinha apenas 16 anos e muita saudade das noites serranas lá do Ceará, também estive lá. Na época, eu não bebia nada, mas houve muita bebida.
Tigonçalinho tomou algumas cervejas e ficou bastante alegre e, como eu sempre digo, as pessoas mais sinceras e honestas do Mundo, são os bêbados e os loucos. Tigonçalinho conversando comigo me disse:
- Amadeu, eu tive em sua família meus melhores amigos. Destaco o compadre Vicente Lucinda.
E me contou a seguinte história.
- Uma vez, nós em uma caçada na Macambira, no lugar chamado Tranzual, eu tive uma isolação muito forte. Nossa água havia acabado e eu desmaiei de sede.
O compadre Vicente Lucinda me colocou nos ombros e me transportou por mais de uma légua até que encontrássemos água.
Sem coragem, a força, o amor e principalmente a presença de espírito dele, eu teria morrido. Devo-te esta, compadre Vicente Lucinda!
Fiquei feliz com a história feliz, porque o compadre Vicente Lucinda era meu tio.
Quando cheguei ao Ceará em conversa com meu tio, contei-lhe esta história. Tio Vicente disse-me:
- Meu sobrinho, o compadre Gonçalinho está entre meus melhores amigos. Para que esta amizade seja completa, só falta uma coisa. Então lhe perguntei qual era esta coisa. Ele então me disse:
- É que um porco dele passe no meu quintal para eu dar-lhe um tiro e matar-lhe.
- Tio, mas que história mais besta! Não estou entendendo nada...
- É que apesar desta amizade tão grande, um dia, quando um porco meu passou em seu quintal, ele o matou. Nunca discutimos sobre este assunto. No entanto, no dia que um porco dele passar no meu quintal, eu mato, independente dele estar presente ou não.
Tigonçalinho morreu anos depois no Rio de Janeiro e Tio Vicente no Ceará. Nunca mais se viram, mas a amizade deste dois amigos foi eterna, nem mesmo esse incidente maculou aquela amizade.
Do livro: “O Anjo da Noite e Outros Contos” de Amadeu Lucinda. ©
OS DOIS AMIGOS

Vicente Lucinda e Gonçalo Doroteu eram agricultores e proprietários de terras no Sítio Morrinhos, no município de Campo Grande, hoje Guaraciaba do Norte no estado do Ceará. 
Esses dois senhores eram muito amigos. Eram colegas de caçadas nas Macambiras, eram companheiros nos forrós que, na época, chamavam samba, quando era de cunho popular, e de baile, quando era de cunho social. 
Também eles se encontravam com outros amigos, na casa do Antonio Cândido,  - colono de meu  pai - nos fins de tardes para um jogo de cartas, onde jogavam três setes, bisca sete e meio e outros; no víspora, eles rifavam queijos e  outras coisas.
Vou chamá-los de tios;  pois o Vicente Lucinda era realmente meu tio, e o Gonçalo Doroteu, apesar de não;  todos o chamavam de Tigonçalinho. Era assim que eram chamados todos os mais velhos em minha época. 
Os dois tinham mais um motivo para serem amigos, o Tigonçalinho era padrinho de um filho do Tio Vicente. Eram compadres.
Em 1952, os filhos do Tigonçalinho, que já moravam no Rio de Janeiro, compraram um sítio no município de Nova Iguaçu, no estado do Rio de Janeiro e levaram ele e a família para morar lá. Os filhos do Tigonçalinho já haviam casado, quase todos, portanto sua família se compunha agora da esposa e uma filha excepcional.
Lá neste sítio, no lugar chamado Ambaí, os filhos dele construíram um pedaço dos Morrinhos, inclusive com uma casa de farinha, coisa inteiramente desconhecida no lugar.
Em 1954, havia chagado ao Rio de Janeiro, vindo  do Ceará, viera para este sítio uma moça da família da namorada de um dos filhos do Tigonçalinho. 
Como a colônia do pessoal dos Morrinhos naquela ocasião ainda era pequena e que a saudade da terra natal era muito grande, a gente arrumava sempre algum motivo para nos reunirmos e, consequentemente, falar das coisas da terra alencarina tão distante.
Tínhamos bom motivo, promoveu-se um tipo de festa-americana, em que todos se cotizava, contribuíam com alguma coisa e fazíamos a festa. 
Eu tinha apenas 16 anos e muita saudade das noites serranas lá do Ceará, também estive lá. Na época, eu não bebia nada, mas houve muita bebida.
Tigonçalinho tomou algumas cervejas e ficou bastante alegre e, como eu sempre digo, as pessoas mais sinceras e honestas do Mundo, são os bêbados e os loucos. Tigonçalinho conversando comigo me disse:
- Amadeu, eu tive em sua família meus melhores amigos. Destaco o compadre Vicente Lucinda. 
E me contou a seguinte história. 
- Uma vez, nós em uma caçada na Macambira, no lugar chamado Tranzual, eu tive uma isolação muito forte. Nossa água havia acabado e eu desmaiei de sede. 
O compadre Vicente Lucinda me colocou nos ombros e me transportou por mais de uma légua até que encontrássemos água. 
Sem coragem, a força, o amor e principalmente a presença de espírito dele, eu teria morrido. Devo-te esta, compadre Vicente Lucinda!
Fiquei feliz com a história feliz, porque o compadre Vicente Lucinda era meu tio.
Quando cheguei ao Ceará em conversa com meu tio, contei-lhe esta história. Tio Vicente disse-me:
- Meu sobrinho, o compadre Gonçalinho está entre meus melhores amigos. Para que esta amizade seja completa, só falta uma coisa. Então lhe perguntei qual era esta coisa. Ele então me disse:
- É que um porco dele passe no meu quintal para eu dar-lhe um tiro e matar-lhe. 
- Tio, mas que história mais besta! Não estou entendendo nada...
- É que apesar desta amizade tão grande, um dia, quando um porco meu passou em seu quintal, ele o matou. Nunca discutimos sobre este assunto. No entanto, no dia que um porco dele passar no meu quintal, eu mato, independente dele estar presente ou não.
Tigonçalinho morreu anos depois no Rio de Janeiro e Tio Vicente no Ceará. Nunca mais se viram, mas a amizade deste dois amigos foi eterna, nem mesmo esse incidente maculou aquela amizade. 
Do livro: “O Anjo da Noite e Outros Contos” de Amadeu Lucinda. ©